Nocicepção é o mecanismo pelo qual o sistema nervoso detecta e responde a estímulos que têm o potencial de causar danos aos tecidos do corpo.
Isso envolve a detecção de sinais de lesão ou ameaça de lesão por receptores sensoriais chamados nociceptores, que estão localizados em várias partes do corpo, como na pele, articulações, músculos e vísceras. Quando os nociceptores são ativados por estímulos, eles enviam sinais ao cérebro, que interpreta esses sinais e gera uma resposta ao estimulo, não necessariamente dor.
A nocicepção desempenha um papel na proteção do corpo contra danos, alertando-o para se afastar ou evitar estímulos que podem ou não ser prejudiciais.
Após receber um estimulo, a percepção sensorial de um indivíduo, tem como base uma rede de neurônios distribuída em diversas regiões cerebrais, conectadas entre si, determinada geneticamente e modificada ao longo da vida mediante as experiencias vividas, ou seja, única em cada pessoa. Esta rede é chamada de neuromatriz, uma rede de trilhas neurais por onde fluem emoções, cognição, sensações e lembranças. Portanto a existência de um estimulo nociceptivo não é um pré-requisito para geração de dor.
Os caminhos que as áreas do cérebro percorrem para produzir dor até criar um registro são as neurotags (neuroassinaturas), vão sendo computados ao longo da vida. Há várias possibilidades de a dor surgir através de 4 grandes grupos: sensações, memória, emoções e movimento.
As neurotags são conjuntos de neurônios interconectados que formam representações no cérebro de experiências, memórias, emoções ou padrões de comportamento. Essas redes neurais são ativadas em resposta a estímulos específicos ou contextos, influenciando nossas percepções, pensamentos e ações.
Logo, quando sentimos dor, podemos afirmar que a neurotag da dor foi ativada. A neurotag da dor é ativada devido alguns princípios: massa neuronal, precisão, neuroplasticidade. O tempo todo, nosso cérebro apresenta ativação de inúmeras neurotags simultaneamente, e no meio de toda essa bagunça, aquela que ganha, é a mais barulhenta, que é a que possui maior massa neuronal (possui mais massa neuronal devido os aspectos citados no parágrafo acima).
Outro princípio da neurotag é a precisão. Há neurotags com muita precisão, outras com baixa. Nossa visão apresenta uma precisão considerada boa comparada aos demais sentidos. Já a neurotag do medo é pouco precisa, nós não nascemos preparados para todas as ameaças que encontraremos na vida, muitas vezes é necessário aprendermos a ter medo. Logo, faz total sentido essa neurotag ser pouco precisa, ser mais maleável. Para poder ser ativada com situações que não a ativavam.
A neurotag da dor é muito similar a neurotag do medo, é imprecisa. Por um lado, podemos aprender a ter ou não dor em alguns contextos, mas o lado ruim é que essa neurotag pode ficar hiperativa e gerar fobias, a falta de precisão da neurotag da dor pode contribuir para ativa-la em situações que o nível de ameaça não justifique a ativação. Tal situação, é muito comum em pacientes com dor crônica, relatar dor quando não deveria haver, exemplo: dor para colocar meia, seria como o individuo com fobia de altura.
A capacidade que nosso sistema nervoso tem de se remodelar (neuroplasticidade), mudar forma e/ ou função. Quando ativamos uma neurotag (ex: dor) com certa frequência, nós a reforçamos cada vez mais, ficamos bom no que praticamos, assim ganhará mais massa neuronal e consequentemente ficara mais fácil ativa-la (sentimos dor).
Referências bibliográficas:
JACEK CHOLEWICKI, PhD,1,2 ALAN BREEN, DC, PhD.Can Biomechanics Research Lead to More Effective Treatment of Low Back Pain? A Point-Counterpoint Debate Published online 2019 May 15. doi: 10.2519/jospt.2019.8825
Treede, Rolf-Detlef. Gain control mechanisms in the nociceptive system .PAIN 157(6):p 1199-1204, June 2016. | DOI: 10.1097/j.pain.0000000000000499